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Essa dor de cabeça é enxaqueca?

Atualizado: 27 de dez. de 2020

Entenda um pouco mais sobre a enxaqueca, doença que afeta milhões de pessoas pelo mundo.


A queixa de dor de cabeça está entre as causas mais comuns de procura por serviços de saúde, tanto em unidades de urgência quanto em nível ambulatorial, representando a queixa mais comum no consultório de Neurologia. Suas causas são as mais variadas e possíveis e podem ser divididas, de forma sumária, em causas primárias (não associadas a lesões neurológicas propriamente ditas) e secundárias. Dentre as causas primárias a enxaqueca é a segunda mais comum e pode estar associada a importante prejuízo da qualidade de vida.


A enxaqueca é uma doença comum que compromete 12% da população geral, é mais frequente em mulheres do que em homens, principalmente na faixa etária mais jovem, sendo que até os 39 anos a prevalência entre as mulheres pode chegar a 24%. A doença tem um componente genético indefinido, sendo os fatores ambientais (associados à rotina de vida) muito importantes para a manifestação e perpetuação da doença.


Os sintomas são bem característicos e a dor de cabeça é a principal manifestação, a dor tipicamente ocorre em episódios de moderada a severa intensidade que podem durar até 72 horas se não tratados, é pulsátil (latejando, como as batidas do coração), com piora à movimentação da cabeça e aos esforços, além de piora com exposição à luz (fotofobia) e a ruídos (fonofobia), podendo ocorrer náuseas e vômitos. Até 20% das pessoas apresentam sintomas neurológicos associados, chamados de aura, que podem ser alterações de sensibilidade como formigamentos na face ou mão, manchas no campo de visão (escotomas), vertigem ou zumbido. Durante as crises é comum que as pessoas procurem um ambiente mais calmo, silencioso e com baixa luminosidade, como forma de alívio para a dor.


A frequência dos episódios pode estar associada à rotina de vida das pessoas, onde gatilhos muitas vezes ocultos perpetuam as crises, dentre os mais comuns estão as variações hormonais (como ocorridas na menstruação), o estresse emocional, a falha de alguma refeição (pular o almoço p. ex.), variações no tempo, alterações do sono, odores, uso de álcool, tabagismo e determinados alimentos. O diagnóstico da enxaqueca é clínico, baseado nas características clínicas e na frequência dos episódios de dor, não sendo necessário, na maioria das vezes, a realização de exames complementares.


Embora a doença ocorra classicamente em crises estereotipadas ela também pode se manifestar de forma crônica, com dor diária ou quase diária associada a prejuízo da qualidade de vida, seja devido ao absenteísmo no trabalho e em atividades escolares ou ainda pelo comprometimento de atividades de lazer e eventos sociais. Nesses casos é comum a associação com outras doenças que levam ao surgimento de dor crônica, como o abuso de analgésicos (uso excessivo de remédios de dor), o sedentarismo e os transtorno de ansiedade e humor, como o transtorno de ansiedade generalizada e a depressão, sendo fundamental a identificação de tais agravantes, bem como seu tratamento adequado.


O tratamento da enxaqueca deve ser individualizado e envolve em primeiro lugar o seu correto diagnóstico, bem como a identificação dos vários fatores associados ao surgimento das crises e à cronificação da dor. Assim, fazem parte do tratamento a melhoria global do estilo de vida, com ênfase no sono adequado, na alimentação balanceada, na suspensão de alimentos que sabidamente desencadeiam a dor, no combate ao sedentarismo, na suspensão do abuso de analgésicos, no tratamento da ansiedade e da depressão. O uso de medicamento controlado pode ser indicado para a otimização da resposta ao tratamento, devendo sempre ser utilizado com orientação e prescrição médica.


Em resumo, não existe dor de cabeça “normal”. A enxaqueca pode levar a grave comprometimento da qualidade de vida e deve ser corretamente diagnosticada e tratada. Seu tratamento é baseado na identificação e correção dos fatores desencadeantes, associada ao tratamento medicamentoso quando indicado, que deve sempre ser orientado e prescrito por profissional experiente, nunca por conta própria.


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